segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Solidariedade - Caso Pinheirinho

Solidariedade - Caso Pinheirinho

Iniciativa da advogada Mariana Nogueira (marianacgnogueira@gmail.com), em e-mail encaminhado a mim esta manhã. Quem assim como eu mora na grande SP e quer ajudar de alguma forma, eis a chance, seja ajudando materialmente ou divulgando.

Com certeza vocês sabem o que aconteceu no Pinheirinho há algumas semanas. Há um vídeo logo abaixo no qual o Defensor Público do caso explica o que realmente aconteceu: arbitrariedades, o poder do capital acima da própria Justiça (a esta altura, justiça com letra minúscula).

Independentemente do credo político de cada um, independentemente do julgamento que façam acerca das ocupações em terrenos particulares (neste caso, o terreno estava ocioso há anos e já era de propriedade da Prefeitura! A mesma Prefeitura que colocou duas linhas de ônibus dentro do bairro! Tirem suas próprias conclusões!), hoje, nos três alojamentos fornecidos, ou campos de refugiados, como preferirem, há cerca de seis mil pessoas.

Estão todos juntos; crianças, adultos, cães em estado lamentável, inclusive feridos. Há muitas grávidas, muitos bebês. Todos perderam o emprego! Foram maculados pela imagem passada pela mídia e pela propaganda do prefeito da cidade, de que seriam traficantes (6.000 traficantes num bairro só? Bogotá é aqui, minha gente!)

O padre que antes havia abrigado mais de 900 pessoas foi obrigado a retirá-las por estar sendo ameaçado.
Todos tem medo. Muito medo. Horror, pois se tinham algo para perder, perderam. Conheceram o inferno. As crianças choram de fome, dor de barriga, já que a comida é muito duvidosa. Muitos dos desabrigados comentam que a "gororoba" está deixando muita gente doente. As luzes do alojamento não se apagam. Nunca. Ninguém consegue dormir.

Quem agüenta tanta dor? Sem lugar para brincar, as crianças vão para a rua. Vão para o perigo, podem servir a qualquer coisa, menos a condição de ser, viver a infância.
O cheiro que exala do ambiente é estranho, duro, cheio de finitude. E junto vem aquele sorriso de esperança quando chegam os produtos de limpeza. As sacolas de doação que temos conseguido aos poucos.

Depoimentos dos moradores

A Prefeitura está dando R$ 500,00 para os refugiados saírem do alojamento e procurar outro local para morar. Quem aluga alguma coisa com este dinheiro? Quem será o fiador? Nem me falem em quartos de cortiço porque estes são muito mais caros do que R$ 500,00!
Sei que todos tem suas vidas para tomar conta, seus próprios problemas, já cuidam de outra causa (a desculpa que mais tenho ouvido todos esses dias)  mas tanta dor não pode nos ser indiferente!!

Estamos aceitando doações do que for: roupas íntimas, roupas (apenas pedimos que elas venham lavadas porque lá não há local para lavar roupas), brinquedos, fraldas, fraldas geriátricas, medicamentos, produtos de limpeza, livros de colorir para as crianças, alimentos (por favor, não vencidos!), lençois, fronhas, produtos de higiene pessoal, ração (há muitos cachorros abandonados e o cheiro dos cachorros mortos beira o insuportável!)...o que for possível!

Sei que esta movimentação que estamos conseguindo não durará por muito tempo por isso precisamos de voluntários na área de psicologia (muitas foram as mulheres abusadas na desocupação!), na área da educação, para conseguirmos pensar, a médio e a longo prazo, em conjunto com eles, o que será possível fazer de agora em diante.

Mais uma vez, a prefeitura prometeu, em 18 meses, casas para os desabrigados. Alguém viu essa construção começar? Alguém consegue ficar no abrigo, sob essas condições, piores do que morar na rua, certamente, por mais um ano e meio?

Estamos recolhendo doações na Rua Capote Valente, 870 conj. 14A. É pertinho do metrô Clínicas, não tem como errar. Se preferirem, entreguem na minha casa (Vigário Albernaz, 863).

Horário para recolhimento das doações: na Capote Valente, das 09h00 às 18h00. Na minha casa, no horário que puderem vir!
O telefone da Carmem, que está organizando as vans que vão até São José dos Campos, é 9620-2079 e o meu, 7021-0571!
Gratidão infinita para quem leu até aqui, gratidão infinita para aqueles que puderem ajudar!

Grande abraço,

Mariana

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